Sagrado Feminino
Cada mulher que desperta, desperta todos ao redor.
1 - Conto: La Tienda Roja
Nossas ancestrais viviam em total conexão entre si e com a Mãe Terra, sincronizavam naturalmente seus ciclos de fertilidade e todas se resguardavam juntas para devolver o sangue à terra. Essas mulheres se retiravam para a Tienda Roja, onde permaneciam de cócoras ou sentadas diretamente na terra, depositando seu sangue enquanto co-fiavam umas nas outras e trocavam conhecimentos e experiências.
Durante esse período de recolhimento, a conexão com a natureza era tão intens
a, que ia além da terra, alcançando o céu. As mulheres recebiam intuições com as instruções para o período seguinte. Ao saírem da tenda eram recebidas pelos homens com festas, pois estavam esclarecidas com as visões que tiveram durante o período de conexão com a Deusa e compartilhariam toda a sabedoria que tinham alcançado no tempo de reclusão. Havia um grande respeito de toda a sociedade por esse período de interiorização e descanso, assim como a celebração pelo fruto dessa conexão.
Com o passar do tempo, após inúmeros ciclos de conexão com a natureza, a mulher permanecia conectada por mais tempo, mesmo durante o restante do ciclo, até tornava-se uma sábia. Neste ponto, deixava de sangrar, pois já não precisaria mais participar da tenda para receber as intuições e poder direcionar a sociedade. As anciãs possuíam grande conexão e entendimento, compreendendo os ciclos da vida e de além da vida. Com isso, podiam perceber que seu próprio corpo mudava, tornando-se mais arredondado, como se ela própria se transformasse na Mãe Terra.
2 - Conto: Dos paninhos ao sangue de guerra
As mulheres que nos antecederam, em um passado próximo, recolhiam o que chamavam de “regra” em seus paninhos. Quando os paninhos estavam encharcados de sangue, eram lavados e a água utilizada era derramada na terra. A água, cheia de sabedoria e regida pela Lua, percorria a terra levando os nutrientes que
se originaram no sagrado feminino. O resultado era a fertilização da terra, que se tornava mais nutritiva e produtiva, fechando um ciclo: a mulher nutria a terra e a terra gerava os frutos que iriam nutrir a mulher.
Quando o paninho perdeu seu espaço para o absorvente descartável, a mulher rompeu com sua parte no ciclo, pois não devolvia à terra os nutrientes tão necessários. Conforme a Profecia das Índias Lakotas: Quando as mulheres deixaram de devolver seu sangue à terra, começou a matança de animais e as guerras, para que o derramamento de sangue suprisse a necessidade de nutrientes. Quando todas as mulheres voltarem a devolver o seu sangue, vai acabar a necessidade de sangue derramado pela violência.
Quando as mulheres tão “modernas” dizem que usar absorvente de pano é retroceder, digo que muitas vezes é necessário dar um passo atrás para enxergar melhor o que está à frente. Um pequeno gesto pode transformar um paradigma atual tão arraigado em uma reflexão profunda sobre o próprio ser humano.
3 - Conto: Plantar a Lua
O termo menstruação tem origem na palavra mês, conceito errado quando nos referimos ao nosso sangramento que ocorre em ciclos de 28 dias, assim como o ciclo lunar. Poderíamos dizer então que as mulheres não menstruam, mas lunam!
Plantar a lua nada mais é do que devolver à terra o sangue de que ela necessita para manter-se fértil. Para o sagrado feminino plantar a lua é uma oportunidade de reconexão com a mãe Gaia. Quando o feminino reencontra essa conexão com a natureza, funde-se com ela e recebe toda sua sabedoria eterna.
Por mais que nossas ancestrais se recolhessem em tendas
para lunar, não é o único caminho de se reconectar. O sangue pode ser recolhido através de coletores menstruais ou absorventes de pano, misturado em água e derramado sobre a terra de um jardim ou até mesmo de um vaso. O importante é devolver à terra os nutrientes que não serão utilizados na geração de uma nova vida no ventre feminino.
Diz-se que na terra há de forma latente toda a composição da grande Mãe natureza, inclusive todas as sementes que existem; e que plantando a lua em um vaso sem nenhuma planta, a natureza irá filtrar as necessidades daquela mulher e presenteá-la com um vegetal complementar, correspondente às suas necessidades.
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Perguntas e respostas:
- Como plantar a lua?
É só depositar o sangue na terra, pode diluir um pouco na água para que seja mais facilmente absorvida pela terra.
- Em que local?
Em qualquer terra, pode ser em um vaso, na horta, no chão de terra. Mas se tiver plantas é ainda melhor, porque a planta poderá utilizar os nutrientes. Lembrem, devolver o sangue a terra é uma forma de fechar o ciclo entre mulher e mãe natureza. Nada melhor que nutrir as plantas com toda a potência geradora de vida que não foi utilizada no útero.
- Como coleto o sangue?
As formas mais fáceis de coletar o sangue são utilizando o próprio coletor menstrual, e já pode despejar direto na terra ou juntar em um recipiente e diluir um pouco, ou com o absorvente de tecido, e jogar na terra a àgua da lavagem, sem sabão.
- Tomo anticoncepcional, posso plantar a lua mesmo assim?
Sim! Apesar de o sangramento com o uso de anticoncepcional ser diferente da menstruação, é uma oportunidade de se conhecer, conhecer o ciclo e se conectar com a terra, com Pachamama. Talvez com o tempo se disponha a reconsiderar o método contraceptivo, utilizando formas mais naturais, como diafragma.
- Quais os resultados?
Muitas mulheres relatam que seu ciclo ficou mais regular, sem cólicas e com fluxo menor. Além de conhecer melhor o corpo e as variações a cada ciclo. Também podemos perceber nossas mudanças de acordo com as mudanças da lua e do ano. É só observação, reconexão e muito amor!